segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Lewis Hine, da imagem à lei


 The Mills. Macon, Georgia
Quem vê a foto de Lewis Hine (26 de setembro de 1874 – 3 de novembro de 1940), logo imagina um professor atrás de sua cadeira, com uma postura impecável e um ar de bom velhinho, um senhor que certamente passa seus dias entre intelectuais e estudantes discutindo qualquer conjuntura internacional. Entretanto, o fotógrafo formado em sociologia teve sua carreira diretamente ligada com o proletariado urbano, com ênfase no trabalho infantil e as condições degradantes tanto no ambiente onde as máquinas ficavam instaladas, como as dificuldades das crianças em estudarem e realizarem seus sonhos.


Lewis comprou sua primeira câmera em 1903. Deste então, passou a realizar um trabalho que envolveu a fotografia com seus conhecimentos em ciências sociais, antropologia e uma capacidade de investigação que permitia seu acesso a fábricas e empresas que, empregando trabalho infantil ou colocando seus funcionários em condições de risco, não permitiam a entrada de fotógrafos ou jornalistas. Durante um ano, percorreu quase 20000 Km por diversas fábricas nos Estados Unidos, chegando a se apresentar como inspetor de incêndio, para dessa forma poder captar as cenas de trabalho em seu cotidiano.


"Power house mechanic working
on steam pump" 1920
Apesar da beleza estética, o conteúdo de suas obras causava um forte impacto por seu forte conteúdo e crítica. E através desse impacto que Lewis esperava provocar as maiores mudanças: “Talvez vocês estejam cansados de fotos de trabalho infantil. Bem, nós também estamos, mas nós propomos fazer vocês e o resto do país ficar tão enjoados desse trabalho que quando a hora (de lutar) chegar, o trabalho infantil será apenas registros do passado.”

Em uma época de conquistas nas áreas dos direitos humanos e trabalhistas, Lewis foi um fotografo que colocava a dignidade humana acima de tudo, fazendo com que seu trabalho não se restringisse a nenhum credo ou idade: “Eu queria fazer algo positivo. Então disse a mim mesmo, Por que não fotografar o trabalhador trabalhando? O homem no trabalho? Na época eles eram tão desprivilegiados quanto as crianças”

Assim como Chaplin, Lewis tinha uma sensibilidade enorme para o mundo em que vivia, capaz de levar a arte ao seu lugar junto à população, ultrapassando os limites que lhe eram impostos e as crenças do seu tempo na crítica do trabalho nos tempos modernos.
Newsies: In the alley, 4. p.m. Rochester, New York.

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